uma dose de saudade

Saudade é quando o amor não foi embora, mas o amado já. É o sentimento abstrato que perdura nas poesias dos velhos poetas, as vírgulas enraizadas entre pontos finais, é o muro de Berlim desmoronado no chão.
Saudade é amar um passado que ainda não passou. É existir para encontrar o olhar da pessoa em cada esquina, confundir cabelos, bocas e perfumes, sorrir com os lábios mesmo tendo o coração em pleno sobressalto.
Saudade é passar pela vida e não viver. É sair de casa em busca de algo e caminhar em direção ao nada. É ferida aberta que dói, mas que só quem perde realmente sente.
Saudade é sentir o peso da ausência sempre ao lado. É quando os olhos transbordam e o peito aperta na inconfortável expectativa de um reencontro. É uma muralha incapaz de blindar a nossa vida daquilo que vai e que, consequentemente, nem sempre volta.
Saudade é aquilo que eu deixei ali, num banco de jardim.