querido setembro

Ensinaste-nos pelos teus olhos que, apesar do rosto entrecoberto, não há ressentimento que anule o brio de um sorriso. Provaste que o equilíbrio é o calor das nossas mãos unidas e a gratidão é a pílula para as almas doentes. Testados por manhãs soalheiras, mesas solteiras e água salgada, fizeste do sofá companhia obstinada e dos almoços petiscos tardios; e cansados, resistimos às mesmas paredes que, um dia, nos proporcionaram tanto conforto. Desvendaste, outrora, que a resiliência está na dificuldade em ceder à própria dor e a valentia está na direção que confronta caminhos garantidos. Permitiste aos grandes amores antigos ressurgir quando olhares atrevidos casaram ao estender a roupa lavada no varal. E, quem sabe, desde então, histórias distantes de estima constante se fizeram em meio ao caos. Agora, pedimos um Outubro cansado, preparado para dias pequenos e beijos com gosto de saudade; pedimos um alento a mais para que a metamorfose nos traga à vida.