onde moram os poetas apaixonados?

Procuro um amor que goste de manter o silêncio do olhar enquanto a própria boca me provoca. Alguém que me decifre com a inocência de uma criança e me entenda com a audácia de um adulto que nunca perdeu a esperança. Procuro um amor inteiro. Alguém que pontilhe as minhas sardas, viaje sem destino e prevaleça à distância de um abraço que, sem querer, se torna casa. Procuro um amor sem linhas ensaiadas. Alguém que me consuma sem queimar, me beije sem rumo e me deseje com aquele fulgor de quem quer ficar. Procuro um amor que se doe sem se dar. Alguém que busque na minha pele o remédio para curar a sua própria carência e tatue sonhos sobre a emergência do meu sorriso. Procuro um amor na primeira pessoa do plural. Alguém que me deixe ir só para que faça sentido voltar, alguém que faça do nosso infinito maior do que todos os outros. Por fim, deixa-se de procurar. Entrega-se ao universo todos os desejos. Ele sabe, ele cuida e ele atende, na hora certa e na maioria das vezes, no momento errado.