olhos ressacados

16-07-2018

Gosto de pensar nele como uma cidade. Não uma simples e vulgar, mas uma onde o caos se mistura com a beleza e a correria espanta a arte exposta nos velhos muros. Gosto de pensar nele como um canto escuro que ninguém ousa atravessar. Não um qualquer, mas aquele cuja incógnita merece ser desvendada. Gosto de pensar nele como um rugido que faz o meu sangue vibrar. Não de medo, mas de querer mais, mais e mais. Gosto de pensar nele como um todo que me faz transbordar. E aí, eu paro, sinto e encaro. 

Vejo refletido nos seus olhos o calor de Veneza e a vontade de quem quer ficar. Vejo tatuagens que recitam poesia, gestos que falam, gritos que não escapam pela boca. Sinto amor em meio à impulsividade, dor que queima como o frio de Nova Iorque e angústia que só um espelho pode retratar. Percorro por memórias distantes quando os seus braços contornam o meu corpo, lembro-me de fragmentos de canções antigas mediante o seu sorriso e decoro pequenos versos de poemas quando os seus lábios tocam os meus. Vejo toda a riqueza de Londres na sua alma, sublimidade nas suas veias, fogo e pólvora que num beijo se consomem. Vejo um enigma não resolvido, um mundo desconhecido, uma galáxia onde as estrelas só brilham depois da tempestade. 

E eu, somente me deslumbro com o yin e o yang, o certo e o errado, o vislumbre das imperfeições que o tornam tão malditamente perfeito.

Share
© 2022 Ana, Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora