filhos do universo
24-07-2019

A dor viera primeiro. Letárgica, silenciosa. Abafada por um olhar escondido num jogo entre o vento e o cabelo. Os seus traços crepitavam em lasciva intensidade, caracterizando tudo aquilo que eu chamava "pedaço de caos". Sempre companheira, caíra em mim como uma penitência visual que mostrava o quanto me reduzira. Ela vibrava em motim, na quietude da agitação. Por vezes, a sua voz soava ferida, uma contradição entre o vazio e a hesitação. Por vezes, os seus lábios raspavam nos meus, absorvendo o fôlego e qualquer convicção. Por vezes, envolvia as suas mãos no meu rosto e exigia um beijo suave que, sem querer, me deixava no chão. Meia noite, cama desfeita, esperança perdida.
- para os filhos do universo, irmãos das estrelas e das galáxias.