aprender a ser

É o luto num corpo vivo. É alguém que estava e que, porventura, deixou de estar. É a essência perdida, a ânsia esquecida e o eco abafado encardido entre quatro paredes. Quiçá, devagarinho, as manhãs enroladas na quietude dos lençóis, desvaneçam a crença de que o vazio jaz por falta de outrem. Ou quem sabe, devagarinho, os comos e porquês enfastiem a própria pele e reduzam a minha jornada num mergulho raso que, sem querer, atinge um amor tão profundo. Amor este que, como uma cascata, deveria oferecer bebida e conforto a quem se aproxima; amor este que, como terra fértil, deveria estar pronto para cultivar com as próprias mãos. Se sou causa, se sou efeito? Não sei. Sou só o caos imperfeito que aprenderá a ser.
- que sempre transbordes pelo teu primeiro amor: amor por ti, por ti só e por ti próprio.